Bilac's poems

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Bilac's poems
by Olavo Bilac, translated by User:Doidimais Brasil

A few of the most remarkable of Olavo Bilac´s poems are reproduced below, with a translation that, if not able to capture his mastery at metre, at least reveals part of his ability to perceive beauty.


VIA LÁCTEA - Soneto XIII (Original version)[edit]

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

MILKY WAY - Sonnet XIII (Translation to English)[edit]

"Well (thou´ll say) hearing stars! Certainly
Thou´ve lost your mind!" And I´ll say to thee, however
That, to hear them, many times I wake
And open the windows, palid in awe...
And we talk all night long, while
The milky way, as an open canopy,
Shines. And, at the coming of the sun, missing and crying,
I still look for them in the desert sky.
Thou´ll now say: "Crazed friend!
What do thou talk to them? What sense
Has what they say, when they are with thee?"
And I´ll say to thou: "Love to understand them!
Because only he who loves may have ears
Capable of hearing and understanding stars."

ABSTRAÇÃO (Original version)[edit]

Há no espaço milhões de estrelas carinhosas,
Ao alcance do teu olhar... mas conjecturas
Aquelas que não vês, ígneas e ignotas rosas
Viçando na mais longe altura das alturas
Há na terra milhões de mulheres formosas,
Ao alcance do teu desejo... mas procuras
As que não vivem, sonho e afeto que não gozas
Nem gozarás, visões passadas ou futuras.
Assim, numa abstração de números e imagens,
Vives. Olhas com tédio o planeta ermo e triste
E achas deserta e escura a abóbada celeste.
E morrerás, sozinho, entre duas miragens:
As estrelas sem nome- a luz que nunca viste,
E as mulheres sem corpo- o amor que não tiveste!

ABSTRACTION (Translation to English)[edit]

There are in space millions of gentle stars,
To the reach of your sight... but thou conjecture
The ones thou don´t see, igneous and obscure roses
Exuberating in the farthest height of heights.
There are in Earth millions of beautiful women,
To the reach of your desire... but thou search for
The ones who don´t live, dream and affection thou do not enjoy
Neither will, past or future visions.
Thus, in an abstraction of numbers and images,
Thou live. You look with boredom at the isolated and sad planet
And find the heavenly vault desert and dark.
And thou´ll die, alone, between two mirages:
The stars with no name- the light thou´ve never seen,
And the women with no body- the love thou´ve not had!

MOCIDADE (Original version)[edit]

A Mocidade é a Primavera!
A alma, cheia de flores, resplandece,
Crê no bem, ama a vida, sonha e espera
E a desventura facilmente esquece.
É a idade da força e da beleza:
Olha o futuro e inda não tem passado;
E, encarando de frente a Natureza,
Não tem receio do trabalho ousado.
Ama a vigília, aborrecendo o sono;
Tem projetos de glória, ama a Quimera;
E ainda não dá frutos como o outono,
Pois só dá flores como a primavera!

YOUTH (Translation to English)[edit]

Youth is spring!
The soul, full of flowers, shines,
Believes in good, loves life, dreams and waits
And easily forgets misfortune.
It´s the age of strength and beauty:
Looks at the future and still has no past;
And, facing Nature upfront,
Does not fear daring work.
Loves awakening, loathing sleep;
Has projects of glory, loves Chimera;
And still doesn´t give fruit as autumn,
For it only gives flowers as spring!

DELÍRIO (Original version)[edit]

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

DELIRIUM (Translation to English)[edit]

Naked, but for love modesty is unfit,
On my mouth I pressed hers.
And, in carnal trembling, she said:
– Lower, my love, I want your kiss!
In the brute unconsciousness of desire
Frenetic, my mouth obeyed,
And her breasts, so rigid I bit,
Making them stir in sweet uprising.
In sighs of infinite enjoyment
She told me, still almost shouting:
– Lower, my love! – in a frenzy.
In her belly I laid my mouth
– Lower, my love! – she said, crazy,
Moralists, forgive! I obeyed...

Última Flor do Lácio (Original version)[edit]

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!